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30/01/2009 - Emater. Agricultores com parceiros
A comercialização tradicional dos produtos agrícolas é conhecida de commoditie, porque o produto agrícola tem preço definido pela cotação média geral, o volume e a freqüência exigidos pelo mercado consumidor e remunera todos os elos de cada cadeia produtiva, embora sempre penalize o produtor rural que está dentro da porteira e fora do contexto competitivo. Assim é com soja, trigo, milho, café, carne, leite, aves... Em outras palavras, a ordem é produzir em escala o que todo mundo produz, no sistema convencional que utiliza intensa tecnologia e insumos ditos modernos, com as plantas e as criações livres de pragas e doenças mediante elevado índice de resíduos químicos, gerando expressiva margem de lucro e pagando bem o antes e o depois da porteira. Mas, em municípios integrantes da região Oeste do Paraná, muitos agricultores familiares e suas organizações estão despertando para essa situação de dependência e querem rompê-la. Sabem que esse tipo de mercado é complexo e com sequelas sociais danosas para a sociedade urbana e rural. Querem enfrentá-lo mudando a rota, levando em conta a atual crise econômica mundial e as presentes variações climáticas do globo. Unidos e mobilizados em resgatar os bons procedimentos agronômicos de um passado não muito distante e entrar firme na agricultura natural e de baixo ou nenhum impacto ambiental. Uma nova forma de viver e trabalhar o campo, cumprindo um também novo protocolo de sustentabilidade econômica. Nesse repensar de caminhar construindo caminhos para alternativas dos mercados, a nova ordem é a de valorizar o dentro da porteira, produzir com qualidade e vender a produção aos setores sensibilizados pela responsabilidade social, agregando mais riqueza proporcionada pelo trabalho humano. Isso mesmo, ampliar as oportunidades de renda e emprego na propriedade rural, produzir para dinamizar com solidez as economias locais, regionais, estadual e nacional e aplicar todo o procedimento ético na colocação do produto in natura ou agroindustrializado, limpo de contaminantes prejudiciais à saúde humana e obtido mediante normas ambientalmente corretas. Levar, pelo preço justo, o alimento tirado da roça e colocar ele, limpo de agrotóxicos e de medicamentos sintéticos, diretamente na mesa do consumidor final.
Agroecologia na região de Cascavel No papel de grande difusor do mais revolucionário sistema de produção rural está a Unidade Didática Expositiva da Agroecologia, montada pela quinta vez no Show Rural de Cascavel e que receberá milhares de visitantes de 9 a 13 de fevereiro de 2009. Numa área de 2,3 mil metros quadrados centenas de plantas em união, representam a importância da ação da natureza em equilíbrio com o ser humano na produção de alimentos saudáveis, o secular modo de cultivar e alimentar as criações, apresentado também como avanço técnico científico dos tempos idos para a agropecuária do futuro, consciente e ambientalmente desejada. “O visitante verá de forma clara e objetiva como interagem as 89 espécies cultivadas, as frutas com as hortaliças e estas com os grãos, grãos com plantas medicinais, mais as plantas potenciais juntamente com as pastagens, além de demonstrações de biosoluções, cisterna de água ferrocimento e estufa de bambu”, afirma a engenheira agrônomo Mary Stela Bischof, coordenadora regional de Meio Ambiente e Agroecologia do instituto Emater. Esta unidade didática e realizada em conjunto com a Embrapa, Iapar, CPRA, Itaipu Binacional, Coopavel, Seab e Emater, a ênfase é mostrar o sistema agroecológico como alternativa agrícola da agricultura familiar, viabilizando o autoconsumo, a produção comercial de alimentos orgânicos independente de insumos externos e a diversidade produtiva equilibrada e convivendo com a presença de pragas e doenças. Sistema que já apresenta resultados pioneiros de 140 agricultores na atividade, produzindo nos municípios de Missal, São Miguel do Iguaçu, Medianeira, Corbélia, Guaraniaçu, Vera Cruz do Oeste, Capitão Leônidas Marques e Cascavel. Um deles é a família Bresciani, da Chácara da Orquídea, com 20 mil metros quadrados, localizada no Bairro Santa Felicidade, em Cascavel. Além das casas de Alcidio e Jandira e a do caseiro, na área são cultivados e criados há mais de 5 anos o total de 250 tipos de alimentos orgânicos, comercializados in natura na Feira do Pequeno Produtor, no centro da cidade , venda direta na propriedade e atendimento das encomendas de restaurantes locais. “Damos mais dois empregos na propriedade e temos ajuda dos netos nas feiras”, comenta Jandira, reforçando sua descrença em “gente que abandona o sítio e vem morar em favela na cidade para passar fome e necessidade, enquanto nós trabalhamos firmes mesmo tendo várias fontes de renda, de aposentadoria ao aluguel de imóveis”. Sobre a agroecologia praticada, ela afirma que recebeu treinamento e viagens monitoras do instituto Emater e recebe informações continuas das novidades do setor e gosta porque “é um retorno às origens dos nossos pais e avós que não usavam veneno agrícola e aumentavam seus tempos de vidas, comendo coisas gostosas e saudáveis”. Show Rural indica mercados da agricultura familiar “O esforço na realização do Show Rural 2009 está todo voltado para o que acontece fora da porteira, porque entendemos que a melhoria da renda da agricultura familiar depende de sua maior participação no mercado, comprando insumos ou, principalmente, comercializando a sua produção, seja ela de forma individual ou coletiva”, afirma o engenheiro agrônomo Renato Jasper, coordenador regional da área de mercado e negócios do Emater de Cascavel. “O que chama a atenção do serviço oficial de extensão rural e seus parceiros é a falta de preparo da família rural nesta etapa, embora exista solução pela capacitação do próprio produtor rural, do jovem e da mulher. Capacitada e organizada a família potencializa sim as oportunidades do agronegócio, atraindo mais membros familiares para as atividades promissoras da agroindustrialização, abrindo também novas formas de participação no mercado, garantindo até maneiras diferentes de comercialização da produção familiar”, garante o extensionista. Renato enumera o elenco de procedimentos comerciais já utilizados pelos agricultores familiares na distribuição da produção, como a venda direta na propriedade rural, atendimento da clientela urbana de casa em casa, barraca de venda nas estradas e rodovias, feiras municipais, feiras de épocas, feiras das agricultoras, distribuição direta no atacado e no varejo, pontos de vendas de produtos naturais e orgânicos, transformação da produção em produtos agroindustrializados, vendas diretas e indiretas no turismo rural, gôndolas varejistas em supermercados, centros municipais e regionais de comercialização, feiras de sabores Paraná, exposições e feiras em mercados especiais de outros estados e mercado internacional. Tem ainda a comercialização decorrente de políticas governamentais como o Programa de Aquisição de Alimentos, com a compra direta da agricultura familiar, compra para doação simultânea, formação de estoques e alimentação escolar. “Ao reduzir as intermediações na comercialização da produção e assim atuando diretamente com o consumidor final, o agricultor familiar eleva sua margem de remuneração e leva para dentro da propriedade mais qualidade de vida pelas oportunidades de renda e emprego no campo”, declara Jasper, segredando que “a melhoria da qualidade de vida é consequência de saber produzir e vender, produzir o que o consumidor final quer e paga por isso”. A proposta da participação do instituto Emater e parceiros nesta 16a edição do Show Rural é simples, reforça a assistente social Jussara Walkowicz que reconhece as conquistas dos eventos anteriores e agora coordena a ação de 100 profissionais na montagem de 87 unidades atrativas, ocupando em 3,5 hectares de área, com o foco na Agricultura Familiar – Caminhos para o Mercado. Para ela as mudanças pretendidas com o tema vão fazer a diferença, porque motiva a família sair, visitar, olhar coisas novas, correr atrás de novidades e no retorno colocar em prática na propriedade o novo conhecimento adquirido. As formas e os resultados dos trabalhos desenvolvidos pelo instituto Emater na região Oeste e demonstrados no Show Rural 2009, estão centrados na organização dos agricultores em associações e cooperativas, na qualificação da produção e na capacitação da família rural para acessar os mercados, além de expor as políticas públicas de comercialização. Selecionados também para a visão prática dos visitantes os temas relevantes, baseados nas atividades leite, frutas, olerícolas, madeira, agroindústria e agroecologia. “Vamos mostrar aos 6 mil visitantes diretos das 120 excursões municipais e parcela dos 150 mil visitantes em geral , as diferentes formas de venda, fortalecer as iniciativas mercadológicas existentes em cada município e na região e formar as fundamentais redes de comercialização da agricultura familiar para os produtos in natura e agroindustrializados, obtidos em sistema convencional e até os orgânicos da agroecologia”, afirma Jussara. F Emater, instituto vinculado à SEAB Mais informações (45)3218-7829
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