| 26/01/2009 - Tecnologia muda a vida no campo No Brasil, a modernização que revolucionou a agricultura faz parte da história recente. Há bem menos de 30 anos os trabalhos de plantio e colheita eram realizados manualmente por toda a famíliatc "“No Brasil, a modernização que revolucionou a agricultura faz parte da história recente. Há bem menos de 30 anos os trabalhos de plantio e colheita eram realizados manualmente por toda a família”" O Show Rural Coopavel é um dos eventos pioneiros em termos de levar novas tecnologias e informações aos produtores rurais. Depois dele vieram muitos outros que também contribuíram para mudar a vida no campo. Entre as tantas mudanças proporcionadas pela disseminação de conhecimento estão a forma de produzir, o ganho em produtividade, o uso de tecnologias e os maquinários, cada vez mais aperfeiçoados. Isso modificou também a qualidade de vida das famílias que trabalham na agricultura. Antes da invenção dessas máquinas modernas tinha que ir a família inteira à lavoura, fosse para plantar, para capinar ou para colher a safra manualmente. Hoje uma única pessoa para dirigir o equipamento já é suficiente. Sendo que aquele trabalho pesado, feito sob o sol escaldante, passou a ser realizado sentado, na sombra, na cabine das máquinas que muitas vezes dispõem inclusive de ar condicionado. A mulher, por exemplo, que antes dividia-se entre as tarefas domésticas e o trabalho pesado ao lado do marido, ganhou mais tempo para cuidar da casa e das suas vaidades pessoais. Muitas passaram inclusive a fazer artesanato para obter uma renda extra e poder ir ao cabeleireiro ou comprar uma maquiagem, uma roupa, sem precisar pedir dinheiro ao marido. Sem contar que muitas trabalham na cidade, são professoras, advogadas, e até empresárias, entre outras profissões. Então, ao mesmo tempo em que a lavoura passou a produzir mais com o uso das tecnologias, a família ganhou qualidade de vida e bem estar. Para mostrar como isso aconteceu na prática, fomos visitar uma fazenda em Santa Isabel, no sudoeste do Paraná, de propriedade de Antonio Ivo e Vera Schmitz. Quem nos atendeu foi a filha Karine Franciosi Schmitz e o gerente José Trajano Brito, o Zeca, que aliás, tinham toda essa história na ponta da língua. José Trajano, que nasceu no campo e se dedicou ao trabalho agrícola a vida inteira, lembra que passou por todas as fazes de mudanças no setor. Aos sete anos de idade começou a ajudar aos pais a plantar e colher milho, algodão e soja nos três alqueires da família. “A capina era à base de enxada, o plantio e a colheita eram manuais, pois somente os grandes produtores é que tinham máquinas, mas eram pequenas e não dava tempo para prestar serviços”, lembra. “Hoje a tecnologia traz muitas facilidades para o produtor rural, muitas vezes o que falta é vontade das pessoas”, diz. Segundo ele, as dificuldades enfrentadas ainda na infância o ajudam a dar mais valor ao trabalho mecanizado e à tecnologia disponível hoje. Tanto é que, como administrador da fazenda, utiliza-se de todas as informações repassadas pela área técnica da cooperativa e busca tirar o máximo proveito das técnicas e ferramentas disponíveis. Karine, apesar de jovem, também acompanhou as mudanças do campo. A fazenda que hoje é herança de família, foi adquirida pelos avós vindos do Rio Grande do Sul há cerca de 50 anos. “Era tudo mato e foi destocada por eles”, conta, lembrando com detalhes das histórias contadas pelos avós. Desde que nasceu Karine acompanha as atividades e viu boa parte dessa evolução tecnológica acontecer. “Não precisamos olhar muito longe. Há dez anos já era bastante diferente”, afirma. Mais humanização Zeca também concorda que a qualidade de vida mudou muito com a chegada da tecnologia ao campo. “Eu não tinha uma bicicleta para me locomover, hoje não faço um serviço manual”. Ele também destaca que onde era preciso 5 pessoas para fazer um plantio, hoje uma pessoa faz sozinha, pois basta colocar a semente, o adubo na máquina e dirigir o trator. O rendimento no trabalho também aumentou consideravelmente. “As pessoas vão trabalhar com mais vontade, devido a facilidade e o conforto que lhes estão disponíveis”, diz o agrônomo Souza. Na lavoura, o milho e a soja são plantados em forma de rotação. No inverno essas áreas são cultivadas com pastagens onde o gado é solto. Para o plantio da safra são feitos todos os investimentos necessários. “Mesmo que uma safra não dê bem, nós não reduzimos os investimentos do próximo plantio, pois sabemos que o ano seguinte pode ser bom”, disse Zeca, comprovando aquele velho ditado que diz que o produtor rural nunca perde a esperança. Além das orientações do agrônomo Anelcindo Souza Júnior, que acompanha cada detalhe, do plantio à colheita, o produtor visita anualmente o Show Rural Coopavel. No evento ele tira algumas conclusões sobre as apresentações técnicas e leva para a fazenda o que considera importante para a sua produção, como algumas variedades de soja ou híbridos de milho. “A maioria das sementes são escolhidas pelo Souza, pois ele acompanha todas as lavouras da nossa região e sabe o que produz melhor na nossa topografia e clima, onde a altitude não passa de 480 metros”, afirma a filha Karine. O uso de tecnologias modernas aponta os bons resultados da fazenda. A lavoura de milho, por exemplo, que é dividida em três variedades, chega a render 12 mil kg por hectare (200 sc/ha). Na soja, a produtividade média é de 3.700 kg por hectare (62 sc/ha). De acordo com Souza, a produtividade da fazenda, é a mais alta da região, que tem média de 2.400 kg na soja e 6.200 kg no milho. “Isso mostra que vale a pena o produtor incvestir em tecnologia, porque quanto mais ele investe, maio é o seu licro”, diz Souza. As culturas também sentem menos a estiagem uma vez que recebem adubação nitrogenada equilibrada. “Em termos de lavoura, fazemos toda a nossa parte. Damos à planta tudo o que ela precisa para produzir bem. O restante é por conta da natureza”, afirma Zeca, lembrando que sempre aprendeu com o pai a trabalhar de maneira preventiva. Na pecuária de corte, com cerca de 2,1 mil cabeças, o gado também é dividido. 20% é P.O. das raças Nelore e Tabapuã, utilizados como melhoradores de plantel. 80% é corte com cruzamento industrial. É aqui, na produção animal, que está a verdadeira paixão da família. Tanto que Karine formou-se em Zootecnia. Mesmo assim a propriedade busca o equilíbrio financeiro entre a agricultura e a pecuária. “Um complementa o outro. As duas atividades são importantes”, diz Karine. Por outro lado, quando a carne está em baixa também tem a compensação das matrizes que geram boa rentabilidade. O controle de custos é feito de maneira criteriosa. “Anotamos desde a hora máquina, até os pequenos detalhes”, explica Karine, que aos poucos assume o comando da fazenda no lugar do pai, Antonio Ivo, que é empresário em Francisco Beltrão. E como o objetivo principal é obter lucro, para cada investimento é analisado o custo X benefício. Zeca, que gerencia a fazenda há 4 anos e a administra como se fosse sua, diz que apesar das dificuldades enfrentadas pelo setor agrícola, viver no campo ainda é bem melhor que na cidade. “Dá pra viver muito bem no campo. Geralmente quem vai mal é por falta de administração”, diz. Karine, que mora com a família em Francisco Beltrão, concorda: “Às vezes tenho vontade de abandonar tudo e vir morar aqui. A cidade é muito estressante. Os problemas de lá são muito mais difíceis de serem resolvidos que os daqui”. Finaliza.
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